Dietrich Bonhoeffer pode ter se tornado mais conhecido e famoso por causa de sua convicção de que a graça custa muito.
“Para Bonhoeffer [em seu livro, The Cost of Discipleship], a graça é sobre o ‘Sim’ incondicional de Deus na pessoa de Jesus Cristo, Seu chamado para que nos comprometamos com ele [como discípulos] está embrulhado em seu compromisso conosco. Todo o nosso esforço está dentro do contexto de nossa pertença, uma reminiscência do comentário de Paulo, ‘Prossigo para torná-lo meu porque Cristo Jesus me fez seu’. … Quando Cristo chama uma pessoa para obedecer, significa tirar o jugo pesado e colocar o leve. Discipulado não é uma luta pelo poder, mas sim uma relação de amor … Para Bonhoeffer, a motivação para seguir e a capacitação para obedecer derivam da alegria da graça …
“A graça que custa muito é um tesouro escondido no campo pelo qual as pessoas vão e vendem tudo o que têm com alegria […] A graça que custa muito é o evangelho que deve ser buscado repetidas vezes, o dom que deve ser pedido, a porta na qual se deve bater. Ela custa muito porque nos chama ao discipulado; é graça, porque nos chama a seguir a Jesus Cristo. Custa muito porque custa a vida das pessoas; é graça, porque, em consequência, faz as pessoas viverem. Custa muito, porque condena o pecado; é graça, porque justifica o pecador. Sobretudo, a graça custa muito, porque custou muito para Deus, porque custa para Deus a vida de seu Filho […] e porque nada que custe muito para Deus pode custar pouco para nós.”
Para Bonhoeffer, a distinção essencial entre “graça barata” e “graça que custa muito” está no fato de que a segunda reconhece a correlação entre graça e discipulado, enquanto a primeira ignora completamente essa correlação. É “pregação do perdão sem arrependimento […] [é] a Ceia do Senhor sem confissão de pecado; é absolvição sem confissão pessoal”. “Graça barata”, continua Bonhoeffer, “é graça sem discipulado, graça sem a cruz, graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado”. É graça sem o constante reconhecimento e esperança da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. É “graça sem a cruz”.
Bonhoeffer chegou a dizer que a graça barata é o inimigo mortal da igreja: “Como corvos, reunimo-nos em torno da carcaça da graça barata. Dela, absorvemos o veneno que matou os seguidores de Jesus”. É também “a graça que concedemos a nós mesmos”. Funciona como um passe que permite ao cristão viver da mesma maneira que antes. A vida sob a “graça barata”, de fato, não difere da vida sob o pecado; a pessoa não segue a Cristo, porque a “graça barata” justifica o pecado sem transformar o pecador.
A justificação é um dom da graça, mas não é um dom que isenta os cristãos da responsabilidade. Pelo contrário, a libertação do pecado por meio da graça (que custa muito) possibilita a capacidade de seguir a Cristo.
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