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PROFESSOR DA UNESP É PREMIADO.

Docente da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas do câmpus de Dracena da Unesp vence o Prêmio Fundação Bunge de 2023 na categoria Juventude, reservada a pesquisadores até 35 anos; resultado espelha reconhecimento do setor produtivo a pesquisas promissoras acerca de microrganismos promotores de crescimento de plantas.

Fabio Mazzitelli

Uma das fronteiras do conhecimento nas ciências agrárias, o trabalho com bactérias promotoras de crescimento de plantas em prol de uma agricultura resiliente e mais sustentável rendeu ao professor da Unesp Fernando Shintate Galindo, de 32 anos, o Prêmio Fundação Bunge de 2023 na categoria Juventude, reservada a pesquisadores até 35 anos. 

Engenheiro agrônomo graduado pela Faculdade de Engenharia do câmpus de Ilha Solteira (Feis) da Unesp, com mestrado e doutorado em agronomia pela mesma unidade, Galindo atua em pesquisas na área de nutrição e fisiologia vegetal aplicado à fitotecnia. É docente do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas (FCAT), câmpus de Dracena, há menos de um ano, mas tem a trajetória acadêmica fortemente vinculada à Universidade. 

Neste final de semana, com o apoio da Fapesp, o docente vai apresentar o seu trabalho em Florianópolis, na 23ª edição do Congresso Latino-americano de Ciência do Solo e na 38ª edição do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo. Em 2013, dez anos atrás, ainda na graduação, depois de realizar iniciação científica na área que se tornou o seu principal campo de pesquisa, teve o insight do caminho profissional que seguiria no mesmo evento, na mesma capital catarinense. Segundo a Fundação Bunge, a premiação foi concedida ao professor da Unesp em razão do desenvolvimento de “pesquisas em manejo sustentável de nutrientes e fitotecnia de culturas de interesse econômico, fertilizantes e adubação”. 

“Em 2013, no dia em que cheguei naquele congresso, na hora de apresentar o pôster, coloquei uma camisa, preguei o pôster, olhei ao meu redor e falei ‘é isso aqui que quero fazer para o resto da minha vida’. Voltar ao mesmo congresso dez anos depois, no mesmo local, após obter este prêmio, é emocionante. Porque tenho dois grandes sonhos. Um deles eu já realizei no ano passado. Era ser professor da Unesp. O segundo sonho é ser pai”, afirma Fernando Galindo. “No final da graduação, entendemos que seria possível utilizar bactérias promotoras de crescimento de plantas em grandes culturas visando reduzir as doses de fertilizantes químicos aplicados, mantendo-se a produtividade agrícola nos mesmos patamares”, diz o professor da FCAT-Unesp, citando com gratidão os nomes de um rol de docentes que o orientaram e o supervisionaram da graduação ao pós-doutorado.

Em dez anos de pesquisas aplicadas na área, debruçado principalmente sobre os microrganismos Azospirillum brasilense e mais recentemente bactérias do gênero Bacillus, Fernando Galindo relatou resultados promissores em diversos artigos científicos. Atualmente, o pesquisador investiga a interação entre dois dos microrganismos mais inoculados no sentido de viabilizar o plantio de culturas em condições climáticas adversas e em áreas sob estresse hídrico ou degradadas. Estudos dos quais o docente da Unesp participou nos últimos anos levantaram evidências tanto da contribuição do Azospirillum brasilense para o crescimento radicular de plantas, aumentando a absorção de nutrientes, como do potencial das bactérias do gênero Bacillus em aumentar a absorção de água e induzir a resistência da planta contra patógenos e doenças. Nas análises das possibilidades de utilização dessa tecnologia em diversas culturas, as pesquisas se concentraram no milho, trigo, feijão, sorgo e soja.

“Hoje a tendência com as mudanças climáticas é cada vez mais termos deficit hídrico em estações que teoricamente seriam chuvosas (chamado de veranico), com registros de temperaturas muito elevadas ou temperaturas muito baixas fora de época. Não temos mais um comportamento climático tão definido como já foi. Por ser uma tecnologia barata, não vai afetar negativamente o sistema produtivo e você pode ter um resultado muito bom na aplicação (do inoculante). É uma tecnologia de fácil aplicação, aquisição e que vem apresentando excelentes resultados a campo”, diz Fernando Galindo.

Especificidades e manejo sustentável

A aplicação de inoculantes contendo microrganismos pode ser feita via sementes, pulverização ou por meio de jatos direcionados para os sulcos da semeadura. “Se pensarmos que na agricultura tropical vamos ter alguns problemas ao longo de qualquer ciclo de cultivo, a tendência de resposta é bem interessante. Só é bom ter claro que, quando falamos de microrganismos, temos de falar de especificidade. A cepa ou a estirpe (do microrganismo), a espécie e o material genético. O milho X e o milho Y vão ter a mesma resposta no mesmo ambiente com a inoculação? Não vai ter. Por quê? Porque vai ter uma especificidade”, afirma.

Apesar do avanço das pesquisas e do crescente interesse na utilização de bactérias promotoras de crescimento de plantas na atividade agrícola, os microrganismos não estão atualmente no manejo propriamente dito feito pelo produtor rural e ainda há muito a ser feito, segundo o pesquisador da Unesp. Por outro lado, os resultados científicos abrem perspectivas bastante animadoras, como no uso do Azospirillum brasilense para alavancar a cultura do milho. A inoculação dessa bactéria no milho vem demonstrando ótimo potencial para uma substituição parcial da adubação nitrogenada. “Nossos estudos e publicações demonstram justamente que é possível reduzir de 20% a 25% da dose de nitrogênio aplicada em grandes culturas como milho e trigo com a utilização da inoculação”, diz Fernando Galindo.

Tal redução evidenciada nos estudos do docente contribui para o manejo sustentável porque as emissões provenientes do uso de nitrogênio na agricultura, muito utilizado na forma de ureia nitrogenada, contribuem para intensificar a emissão de gases de efeito estufa. Na complexa dinâmica do ciclo do nitrogênio, são liberados por exemplo óxidos de nitrogênio (NOx) e amônia (NH3), que poluem o ar com material particulado e ozônio, e também óxido nitroso (N2O), que tem propriedades para reter mais calor que o dióxido de carbono (CO2) e contribui para o aquecimento global.  “O uso de inoculantes (de bactérias) e a substituição parcial da adubação nitrogenada têm ganhos econômicos e ambientais, porque minimiza custos e polui menos, mantendo o teto produtivo”, afirma o docente. 

Criado em 1955, o Prêmio Fundação Bunge é um dos mais tradicionais do país nas ciências agrárias e, em 2023, teve 120 pesquisadores indicados, número recorde. A indicação é feita sem conhecimento prévio do pesquisador e a seleção do vencedor, realizada por especialistas da área de estudo. Os vencedores receberão medalha e uma premiação em dinheiro durante uma cerimônia em setembro, na capital paulista.

Imagem de abertura: Fernando Galindo / Arquivo pessoal

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